sábado, 16 de janeiro de 2010
Expor-se ao ridículo
Expor-se ao ridículo. Cabe-me de tantas maneiras impensáveis que, obviamente, não poderia defini-las. Cabe-me pensar que cada um é um ser hipoteticamente pensante, confusamente perambulante, mas lentamente mortal. Assim, todos os dias devo me acostumar a novas faces, novos teoremas, novas revoluções, novas congratulações e, concomitantemente, seguir a minha linha de pensamento. Essa linha pode se afastar dos meus desejos e pode se aproximar do abismo de ilusões: basta, a mim, equilibrar-me a manter a postura, fingindo um sorriso maquiavélico. Tudo que me foi concedido não pode ser roubado, embora transformado com o tempo. Tudo em mim pode ser explicado, não apenas sentido, não apenas visto, mas é tão complicado para uns apenas começar a sentir. É tão subestimada a aura jubilosa em um deserto tenebroso, assim como meus olhos em um mar de gente. Gente que sequer sabe o porquê de hoje. Gente que não se dá ao luxo de explorar certas águas, por serem secas e inexplicáveis. Talvez confuso de entender, mas tão visível é a hesitação que as palavras fazem nas cabeças hipoteticamente pensantes, confusamente perambulantes, mas lentamente mortais.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Talvez se expresasse
Talvez tivesse medo buscar e encontra-las
Talvez tampouco gostaria de pronunciar por senti-las
Talvez se houvesse com o escuro que clareasse
Talvez nao fosse grande o suficiente que a afetasse
Talvez por medo de errar tentou mentindo
Talvez escondendo atrás de si se fez fingida
Talvez fosse a verdade que esperava calma
Talvez fosse o fundo o fim da sua ida
Talvez buscasse se livrar do mundo
Talvez o mundo já nao a tivesse
Talvez seus olhos fossem os mudos
Talvez tudo que era agora adormesse
Talvez um dia entao encontre
Talvez um mundo entao a ame
Talvez o sol entao brilhe
Talvez a voz entao a chame
Talvez tampouco gostaria de pronunciar por senti-las
Talvez se houvesse com o escuro que clareasse
Talvez nao fosse grande o suficiente que a afetasse
Talvez por medo de errar tentou mentindo
Talvez escondendo atrás de si se fez fingida
Talvez fosse a verdade que esperava calma
Talvez fosse o fundo o fim da sua ida
Talvez buscasse se livrar do mundo
Talvez o mundo já nao a tivesse
Talvez seus olhos fossem os mudos
Talvez tudo que era agora adormesse
Talvez um dia entao encontre
Talvez um mundo entao a ame
Talvez o sol entao brilhe
Talvez a voz entao a chame
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Daily Dawn
3:00
Sentada ao monitor, na escuridão da madrugada, oito filmes passam em minha cabeça e as imagens se confundem, como em uma valsa colorida, apressada. Os sons se misturam e meus pensamentos congelam - desperto repentinamente. Radiohead ecoa e "Jigsaw Falling Into Place" toma conta da minha mente e do meu corpo. Corpo suado, calmo, que ainda não se cansou. Volto a raciocinar e percebo o monitor ainda em minha frente.
3:30.
Silenciosamente, direciono-me para o calor da noite e para a tranquilidade dos corpos adormecidos em seus lugares. Sozinha, sinto-me viva e escrevo. Escrevo para o tempo parar e eu continuar vivendo. É a chance da minha solidão me dominar e eu aceitá-la por inteiro.
4:00
A água desliza sobre o meu corpo, sentindo minhas curvas e imperfeições. O perfume se espalha por todo o ambiente, e, de olhos fechados, respiro fundo para a noite. A calma, ainda em mim, completa-me e esqueço o tempo, o espaço, esqueço o meu corpo. Mergulho em minha virilidade, e só.
4:30
Deitada sobre o lençol, olho o teto através do escuro. Sinto-me sufocada e, ao mesmo tempo, a liberdade me preenche inexplicavelmente. Ponho os fones no ouvido, para esquecer o barulho do vento e os ruídos da avenida. E novamente Radiohead ecoa em mim. "Nice dream" sugestivamente se espalha por todo o meu corpo, até que sinto meus pés se contorcendo com a melodia. A angustia me provoca e surto com um grito ensurdecedor. Ninguém acorda. Adormeço.
Sentada ao monitor, na escuridão da madrugada, oito filmes passam em minha cabeça e as imagens se confundem, como em uma valsa colorida, apressada. Os sons se misturam e meus pensamentos congelam - desperto repentinamente. Radiohead ecoa e "Jigsaw Falling Into Place" toma conta da minha mente e do meu corpo. Corpo suado, calmo, que ainda não se cansou. Volto a raciocinar e percebo o monitor ainda em minha frente.
3:30.
Silenciosamente, direciono-me para o calor da noite e para a tranquilidade dos corpos adormecidos em seus lugares. Sozinha, sinto-me viva e escrevo. Escrevo para o tempo parar e eu continuar vivendo. É a chance da minha solidão me dominar e eu aceitá-la por inteiro.
4:00
A água desliza sobre o meu corpo, sentindo minhas curvas e imperfeições. O perfume se espalha por todo o ambiente, e, de olhos fechados, respiro fundo para a noite. A calma, ainda em mim, completa-me e esqueço o tempo, o espaço, esqueço o meu corpo. Mergulho em minha virilidade, e só.
4:30
Deitada sobre o lençol, olho o teto através do escuro. Sinto-me sufocada e, ao mesmo tempo, a liberdade me preenche inexplicavelmente. Ponho os fones no ouvido, para esquecer o barulho do vento e os ruídos da avenida. E novamente Radiohead ecoa em mim. "Nice dream" sugestivamente se espalha por todo o meu corpo, até que sinto meus pés se contorcendo com a melodia. A angustia me provoca e surto com um grito ensurdecedor. Ninguém acorda. Adormeço.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Sid por Nancy
Milhas separam a alma dos olhos, que tentam enxergá-la aos poucos. Pouco tempo que flui, impetuosamente. Vago como o fundo do tambor, é a alma, então, que estronda unissonante. Não fala de amor, isso basta. Não teme ser pecador, acalma. Não suspira o horror, mas há quem se apavore. Afirma solidão, mas da Lua sente provocação. Sendo um espinho em uma flor, vê-se flor bela em cor. Evita ser mundano, sendo brando inteira e loucamente, fulgindo nos olhos cegos em devaneios. Tem lábios que não falam, nem beijam. Mãos que não acariciam, mas se expressam. Deseja a carne, esquecendo que também tem alma, os olhos que sentem.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Que horas são?
Há muito por trás de uma pergunta. Tanto para quem a faz, quanto para quem a responde. Algo tão simples como isso, abre qualquer tipo de ideia ou conceito em relação à questionada ou o questionador. Quem pergunta, espera respostas. Quem responde, às vezes não vê nada por trás.
Quem pergunta aprova ou reprova as respostas, conceitua, opina, conhece, mata uma curiosidade ou um preconceito, fica admirado, perplexo, surpreso, desapontado, contente, triste, chocado, sentido. Quem pergunda expande a noção da curiosidade, pode se decepcionar logo, ou se admirar mais rápido. Pode fugir os pensamentos para ideias próprias ou de outros.
Quem responde percebe os detalhes nos quais nunca pensou, as ideias que nunca formulou, as comparações que nunca fez. Quem responde expande o auto-conhecimento, a auto-reprovação e auto-bajulação. Quem responde espera mais perguntas, de acordo com cada resposta. Quem respode é influenciado pelo humor e auto-compaixão, levando, às vezes, a forjar uma reposta.
Quem responde, também se pergunta. Quem pergunta, não saberia o que responder.
Um ciclo vicioso que pode gerar desconforto, vergonha; que não se satisfaz, mas não pensa com clareza, com rapidez; que se aperfeiçoa com os dias, com os anos. Nada melhor que perguntar e obter uma resposta prazerosa, ou várias respostas diferentes, ou variações das mesmas respostas. Muitas vezes, a pergunta, em, si não interessa, mas, sim, como ela é respondida. Outras vezes, respondemos o que gostaríamos que fosse, embora não seja. Perguntas e respostas podem movem céus e cabeças pensantes, mas, apesar de tudo, às vezes as ações valem mais.
Quem pergunta aprova ou reprova as respostas, conceitua, opina, conhece, mata uma curiosidade ou um preconceito, fica admirado, perplexo, surpreso, desapontado, contente, triste, chocado, sentido. Quem pergunda expande a noção da curiosidade, pode se decepcionar logo, ou se admirar mais rápido. Pode fugir os pensamentos para ideias próprias ou de outros.
Quem responde percebe os detalhes nos quais nunca pensou, as ideias que nunca formulou, as comparações que nunca fez. Quem responde expande o auto-conhecimento, a auto-reprovação e auto-bajulação. Quem responde espera mais perguntas, de acordo com cada resposta. Quem respode é influenciado pelo humor e auto-compaixão, levando, às vezes, a forjar uma reposta.
Quem responde, também se pergunta. Quem pergunta, não saberia o que responder.
Um ciclo vicioso que pode gerar desconforto, vergonha; que não se satisfaz, mas não pensa com clareza, com rapidez; que se aperfeiçoa com os dias, com os anos. Nada melhor que perguntar e obter uma resposta prazerosa, ou várias respostas diferentes, ou variações das mesmas respostas. Muitas vezes, a pergunta, em, si não interessa, mas, sim, como ela é respondida. Outras vezes, respondemos o que gostaríamos que fosse, embora não seja. Perguntas e respostas podem movem céus e cabeças pensantes, mas, apesar de tudo, às vezes as ações valem mais.
sábado, 31 de outubro de 2009
Primeiro De Trinta
Após 18 dias do meu 18º aniversário, ganhei o melhor presente de todos e uma carta de três páginas - frente e verso - de alguém muito especial e é aí que vejo que ainda existem pessoas capazes de me surpreender de verdade, enquanto outras ainda estão fadadas ao meu desprezo e extermínio. Mesmo muito distante ou, aparentemente, muito perto, são as mesmas. Posso até me sentir a criadora do que me cerca, pois já sei exatamente como acontecerá mesmo. Não que eu saiba de tudo, longe disso, mas é tudo tão óbvio!
Óbvio à sua maneira, porque cada um tem o seu "óbvio", o que eu poderia chamar de TILT. É aí que entra a Lei 25. "Registre os temperamentos das pessoas que você conhece e se adapte a cada um deles". O negócio é: qualquer deslize e adeus, não tem conserto por hora. Então eu penso em quantas pessoas conseguiram se adaptar ao meu temperamento e até onde os temperamentos podem se aturar.
Talvez eu devesse parar de esperar por uma surpresa. Vai ver que, por esperar, não há surpresas. Não há mistério. Não há frio na barriga. Não há mais nada além do que eu já poderia esperar. Mas, como uma estrela cadente, às vezes pode surgir um brilho a mais no céu, um destaque rápido, porém memorável. Nunca se sabe.
É por tanta estupidez que diariamente me aparecem tantos egocêntricos hedonistas, frutos de uma verdade óbvia que é o ser humano. Vale a pena generalizar.
E hoje, como todo começo de mês, busco algo novo e inusitado.
Óbvio à sua maneira, porque cada um tem o seu "óbvio", o que eu poderia chamar de TILT. É aí que entra a Lei 25. "Registre os temperamentos das pessoas que você conhece e se adapte a cada um deles". O negócio é: qualquer deslize e adeus, não tem conserto por hora. Então eu penso em quantas pessoas conseguiram se adaptar ao meu temperamento e até onde os temperamentos podem se aturar.
Talvez eu devesse parar de esperar por uma surpresa. Vai ver que, por esperar, não há surpresas. Não há mistério. Não há frio na barriga. Não há mais nada além do que eu já poderia esperar. Mas, como uma estrela cadente, às vezes pode surgir um brilho a mais no céu, um destaque rápido, porém memorável. Nunca se sabe.
É por tanta estupidez que diariamente me aparecem tantos egocêntricos hedonistas, frutos de uma verdade óbvia que é o ser humano. Vale a pena generalizar.
E hoje, como todo começo de mês, busco algo novo e inusitado.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O dia em que cortei o cabelo
Hoje eu cortei o cabelo e gostaria de deixar claro que, para mim, cortar o cabelo é como eu querer me afogar em novos tempos. É como mergulhar em águas novas, com medo de morrer afogado, ou provar uma fruta exótica, porém saborosa. É como ter certeza de que vão te notar de alguma forma. É como querer chamar a atenção de alguém por um tempo indeterminado. É como consertar um carro desgastado e tentar se sentir melhor dentro dele depois de reparado. Neste momento, não é um simples corte de cabelo, é uma exteriorização da minha necessidade de mudança. Uma forma de mostrar que eu não quero ser mais a mesma de ontem, nem mais a mesma que se arrepende amargamente do último corte que fez. Enfim, é a forma menos pavorosa de dizer: estou com medo, mas estou disposta. É uma forma de mostrar o que eu gosto e, para quem não gosta, não tocar no meu novo cabelo, que eu tanto gosto e cuido. Agora meu cabelo está cortado e eu vou cuidar mais dele, porque da última vez que cortei, todo mundo dizia que estava feio, mas eu passei tanto tempo com meu cabelo supostamente feio e me senti a melhor pessoa do mundo, até cortar, sem querer, de olhos fechados e estragar todo. Agora cortei direitinho. Cuidadosamente. E aos poucos ele vai crescendo. E no dia que eu precisar cortar de novo, cortarei exatamente como da primeira vez, que me senti a melhor pessoa do mundo.
Assinar:
Postagens (Atom)