terça-feira, 6 de julho de 2010

Pensando bem...

Sou fã de fotografia, confesso. Tiraria foto desde uma formiga até um pôr-do-sol, lindo na imensidão. Ainda assim, sou fã de palavras e acho que o que falta a uma, há na outra. Duas fotos idênticas, com anos de diferença, trazem tantas ideias, tantas fúrias e alegrias distintas, que quase não podemos diferenciá-las. Quem vê foto, nem vê tanto... são as palavras que definem o momento, quando sinceras. Por isso passava mais tempo escrevendo que tirando foto, e pude guardar muito mais de mim que muitas pessoas que conheço. Guardei o que me angustiava e me alegrava e hoje pude sentir como se o tempo não tivesse passado. De repente me senti com 14 anos outra vez e tudo que passava na minha cabeça, naquela época, eu senti de novo. Talvez fosse como se pulasse de pára-quedas e sentisse aquele frio na barriga, que vai até as pernas.

De repente o mundo cai nas minhas costas e, em sobressalto, levanto-me acordada, com a mente entupida de preocupações e ressentimentos. De repente as flores são as ondas misteriosas da noite, que me causam melancolia. De repente tudo anda, e eu fico parada, analisando, com medo. De repente eu não queira ser assim, de repente eu penso ser assim, não sendo. De repente eu esqueço tudo e vou dormir.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Calafrios



Não estou triste, tampouco feliz. Estou em uma calma irritantemente angustiada. Não sei para quem sorrir, ou o que falar. Apenas vivo desnorteada me alimentando de diversas maneiras, para sobreviver. Que razões me levam a isso, ainda não encontrei. Talvez a minha vontade de ser um pontinho mais significante no mundo me convença a encontrar sentimentos reais dentro de mim, sentimentos que também não me encontraram, o que torna difícil esse encontro tão desejado por minha angústia. Estranho como as pessoas estão constantemente idolatrando e sendo invisíveis, ao mesmo tempo que são idolatradas e tornam outros invisíveis. Meros sobreviventes do nascimento, é o que somos, tentando cobrir o silêncio com porquês, que levam a discussões, que se tornam separações. Tudo se resume a isso: explicações. Às vezes eu simplesmente não quero dizer o que estou procurando, talvez porque nem eu saiba e, caso encontre algo, não adiantaria mais falar.

Confesso que tenho meus momentos de euforia, e sempre encontro uma razão para explicar a que eles se resumem, mas também sei me convencer de que tudo passa, tudo acaba, todos se enganam e nada é como se vê, há muito além de tudo - muito mesmo, e quando consigo ser sincera comigo mesma me bate uma felicidade enorme. Talvez seja essa a minha prova de existência. Ou talvez não seja nada.

domingo, 2 de maio de 2010

Outro dia de Sol

E agora não mais se lembrava
Das palavras inúteis decoradas
Olhava no espelho o reflexo da derrota
E sorria derrotada
Irritantemente contente ela bailava
Pelas ruas de sua estrada corrida
Seguia leve e solta a menina
Que um dia foi tao temida
E fechando seus olhos
Sozinha ela sonhava
No dia por vir a sorrir
Tao mais quanto pensava
Ah, se por outro instante sonhasse
Na calma que traria seus olhos sem lágrimas
Nao mais pensava em abri-los por mal
So fecharia para tal
Sentimento tao feliz

domingo, 21 de março de 2010

Sinta

Calada, minuciosamente contava os segundos desde a última hora
Disfarçando, em um sorriso angelical digno de aprovação
Todo o descontentamento que lhe causara aquele ambiente
Se assim sempre o fizesse
Talvez se calasse até a morte
Sem nem ao menos se lembrar das suas últimas palavras
Tinha pressa em se ajustar ao tempo e espaço
Com isso, a solidão
A amplitude de sua aura e a estadia de sua visão
Por tanto pensar, angustiara-se
Perdida nas nebulosas virtudes de sua alma
E a mente, que possuía por completo
Agora corria seu rosto em lágrima
Inevitavelmente interpretada tão vulgarmente
Que mente, nem sente, somente
Em lágrima

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Frustração

Dizem que as pessoas de sucesso são uma mistura de duas virtudes: talento e esforço. Eu não tenho talento para nada e nunca fiz algo em que pensasse "Puxa, sou realmente muito boa nisso e as pessoas reconhecem". Não sou nenhum Van Gogh, Mozart ou Leibniz, porque, simplesmente, não tenho o dom para ser e, obviamente, nunca serei, por mais esforço que faça. Não sou muito boa em nada. Não sou boa com crianças - adultos, idosos, adolescentes... - não sei consolar as pessoas, não sei rir, não sei falar na hora certa - para mim, qualquer hora é certa - não sei gritar estridentemente, não sei plantar bananeira, não sei me maquiar, não sei contar histórias em menos de 269219814 minutos, não sei cozinhar, não sei nem correr direito! Não estou satisfeita com qualquer coisa que faça e nunca fiz nada grandioso. O auge do meu sucesso foi em um aniversário de 10 anos, quando cantava no karaokê e ouvi a moça do algodão doce dizer "Ela canta muito bem!" - foi tão inesquecível que até lembro que cantava "Coleção". Nunca mais vi essa moça, ou a moça da pipoca, do sorvete, do bolo, dos presentes... Penso em tudo que fiz: não consegui ser uma grande jogadora, bailarina, cantora, professora, pintora, desenhista, escritora, atriz, musicista. Eu sei, ainda sou muito nova, mas acho que o tempo já passou, já me frustrei e perdi as esperanças. Enfim, ainda há uma chance para mim: a engenharia. Bom, eu sei contar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Glee

Um dia, eu não parei de sorrir.

Não era o meu aniversário, não ganhara na loteria, não me tornara uma grande engenheira, muito menos pensei em voar para longe. Não me lembrava de ter feito algo extraordinário para merecer tamanho transtorno. Eu apenas sorria. Não me importava o dia da semana ou há quantas horas já não era mais meia noite. Não sabia mais como era ser triste, depressiva, angustiada ou sorrateira. Eu apenas sorria. Sorria para o medo, para as árvores e meus familiares. Sorria como se não pudesse conter meu riso, por mais que tentasse. Não sabia a razão, mas não me importava, já que meu sorriso escondia qualquer dúvida em mim. Meu sorriso era calmo e tão amável, que, naquele dia, eu me amei. Então passei a sorrir por amor, amor que nunca sentira e sabia que não sentiria mais. Sorri, então, como se fosse o meu último dia e tivesse contente por deixar tudo no lugar. Não sabia que existia tal sentimento e sorri por descobri-lo às vésperas da minha hipotética partida. Sabia que não sentiria mais aquele sorriso em mim e, ainda, jamais veria em outra pessoa. Então sorri por ser a única a possui-lo. Sentia-me a melhor pessoa do mundo e nada acabaria com a minha alegria. Mas quando a vigésima quarta hora do dia acabou, eu me entristeci, pois já sentia falta do dia em que mais sorri.

Expor-se ao ridículo

Expor-se ao ridículo. Cabe-me de tantas maneiras impensáveis que, obviamente, não poderia defini-las. Cabe-me pensar que cada um é um ser hipoteticamente pensante, confusamente perambulante, mas lentamente mortal. Assim, todos os dias devo me acostumar a novas faces, novos teoremas, novas revoluções, novas congratulações e, concomitantemente, seguir a minha linha de pensamento. Essa linha pode se afastar dos meus desejos e pode se aproximar do abismo de ilusões: basta, a mim, equilibrar-me a manter a postura, fingindo um sorriso maquiavélico. Tudo que me foi concedido não pode ser roubado, embora transformado com o tempo. Tudo em mim pode ser explicado, não apenas sentido, não apenas visto, mas é tão complicado para uns apenas começar a sentir. É tão subestimada a aura jubilosa em um deserto tenebroso, assim como meus olhos em um mar de gente. Gente que sequer sabe o porquê de hoje. Gente que não se dá ao luxo de explorar certas águas, por serem secas e inexplicáveis. Talvez confuso de entender, mas tão visível é a hesitação que as palavras fazem nas cabeças hipoteticamente pensantes, confusamente perambulantes, mas lentamente mortais.